quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Botão de rosa.




Botão de Rosa

Busco, qual beija-flor, a beleza ingente
Que por entre as pétalas se oculta
Na formosa rosa de calor ardente,
E em meu peito, com glamour, se avulta!

E hei de encontrar, a minha bela aurora,
Pois sei que, ainda que furtada à minha vista,
Aguarda nalgum lugar o brindar da hora
Em que sua alegria será minha conquista!

Decantarei o meu amor em fartos versos
Para que não esqueça, nem por um segundo,
Que à minha paixão jamais estarei disperso.

A sua imagem todos verão em meu olhar
Pois cravarei em meu coração, a fundo,
A felicidade que eu anseio poder lhe dar!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Rubente anelo.




Rubente Anelo

O beijo doce de flor rubente
Matizou todo o meu olhar singelo,
Que cantou contente qual anelo
Maravilhado por beleza ingente!

Pétalas enfeitam o alegre amarelo
Do helianto que te coroa graciosamente
Seguindo fervoroso astro tão quente
Qual sigo eu arranjo tão belo!

Aos divinos vocábulos agora apelo
Para forjar com o meu nobre martelo
Escultura fiel aos ciúmes de Otelo!

Logrando tal, será o teu presente:
A união de todo o amor existente
Oferecido a ti em meu seio ardente!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Alea jacta est.




Alea jacta est

Fantasia surreal me acalenta,
Disforme desejo tornando torpor
Toma corpo e, debalde, tenta
Transcender os contornos do amor!

Na carne eu sinto o reflexo
Do que em minha alma germina,
Um afago distante e desconexo
Que, mesmo longínquo, me ilumina!

A ilusão na qual meu peito se firma
Transborda dos teus olhos, abismos,
Derrama em mim formosa sensação!

E o meu olhar incauto confirma:
O entrelace de todos os romantismos
Encerrou em mim, por ti, cálida paixão!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Moça.



Moça

Moça morena de manha amena,
Lança tua lança em meu coração.
Moça morena de mente serena,
Deixa tua roupa e vem pro colchão!

Menina manhosa, selvagem e dengosa,
Deixa o tempo acordar-nos depois.
Menina manhosa, de estima formosa,
Esqueça do mundo além de nós dois.

Moça-menina do olho do furacão
Deita a tua lenha em minha frágua,
Canta comigo essa ardente canção!

Moça-menina de eterna paixão,
Mostra que a vida não é só mágoa,
Deita comigo e esqueça a razão!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Porto Inseguro




Porto Inseguro

Prazer insano que nunca se satisfaz
Cravado a fundo em meu peito sem paz,
Que não se acalma, que não é alma
Capaz de se iludir com qualquer palma!

Uma busca irreprimível e infindável
Encerra em mim a certeza inefável
De que o meu próprio reflexo
Não forma comigo nenhum nexo!

Corpo que se vende por tão pouco
Procurando sempre reconciliar
O coração e o mais puro desgosto

De não ter par neste dolente sufoco,
De jamais conseguir se encontrar
Ou dar fim a este eterno agosto!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Inspiraçao (ou a história de uma pré-poesia)


Inspiração (ou a história de uma pré-poesia)

O furor da memória
Salta-me com glória
Na inquietação dos dedos
Ou na ebulição dos medos,
Anelando transpor os limites
Da minha ilimitada alma
Que existe como inexiste
Na perturbação ou na calma!

E anseia, sei eu que anseia...
Cada idéia presa em minha teia
Tomar vida nalgum papel,
Versos secos mirando o céu
No cortejo de algum ideal.
Vis palavras e me interpretar,
Eu sou tão bom quanto mal
Na arte ingrata de versar.

Dançando sobre alguma folha
Os dedos transcrevem minha escolha
Demonstrada na clara incerteza
De escrever sem qualquer destreza
Saciando o desejo de me eternizar
Em escritos simples, porém fiéis,
Como se fosse o meu caminhar
Percorrendo a vida nos papéis!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Efemérides.




Efemérides


Passou, passou, passou...
Do último cometa não resta rastro
Resta apenas a ilusão e o cansaço.
Desejo de voltar a passar,
Sem passar, sem fugacidade.

Um registro de efemérides
É meu peito vasto
Planície de felicidade sem fim
Felicidade desmedida
Felicidade descomedida
Felicidade amortecida
Pela sombra da saudade
Da vivência de uma vida
No vale que nada invade
Pois uma montanha é qual grade
Impedindo a passagem
Para o rio onde a margem
É minha juventude!

Saudosismo incomensurável
Do momento memorável
Onde me limitava, mormente,
Em ser feliz, em ser contente!

Saudade intragável,
Peito inconsolável,
Diga, vida pérfida,
Poderei algum dia eu
Reviver o que já morreu
Nos instantes em que me destes
De belezas entre ciprestes
E fertilidade em solo agreste?

Se por ventura, vida,
Disser sim
Faça o que quiser
De mim!
Nada mais importa,
Se por ventura, vida,
Devolver-me a horta
Tão fértil que cultivei
Nos meus tempos de infância!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Cárcere Escarlate



Cárcere Escarlate

Em meu peito arrebatado,
Absorto por seu olhar dourado
Uma certeza ainda porfia:
Eu a desejo mais que devia!

Mas em desrespeito à razão
Não domestico o coração
Adoro-lhe de maneira indizível
Com todo amor que me é possível!

Eu jamais ousaria limitar
Tal desmesurado sentimento,
Pois só se ama de forma infinita!

Sua lembrança teima em tomar
De assalto todo o meu pensamento
Iluminando minh’alma aflita!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Ideais inconfessos.



Ideais Inconfessos

A veste que meu sonho trajou
Caiu em desuso naturalmente,
Tornou-se obsoleta e indecente
Aos olhos de quem me amou.

As palavras que proferi
Foram tolos hinos ecoados
E a plenos pulmões bradados
Pelas bocas em que me feri.

Ilusão sem crença e caída
Corrói o sentido e a emoção,
Proclamando ao meu coração:
“Esboço de uma vida falida!”

Desejo infausto e obsessão
Em carne viva me deixaram,
Por madrugadas me guiaram
À procura de uma expiação.

Caí no truque da saudade,
Do passado que não passa,
Neguei três vezes a desgraça
Mas fui traído pela vontade!

A fantasia fez sua festa:
Aos meus olhos foi presta
Com sua beleza nada modesta
E uma sedução que me molesta.

O mal que vivo em segredo
Corrói-me as tentativas
E as lembranças furtivas
Condenadas ao degredo.

Sufoco o dolente grito
E a sensação nunca fugaz
Que não folga jamais:
A vida ainda é um mito!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Um gole rúbido de desejo


Um gole rúbido de desejo

Da rosa ígnea que me abrasa o peito
Fiz cama, travesseiro e lençol,
Fiz pomposo e rubente leito,
Coroei teus olhos brilhante sol!

Fragrância leve e olor adorável
Embriagam meus sentidos dormentes
Qual um enrubescer imaculável
Da carne pelos sussurros ardentes.

Da candura dura do teu seio
Fiz horizontes de contornos voluptuosos,
Fiz montes dos quais o auge anseio,
Destruí os desgostos mais fragosos!

Brisa libidinosa e conforto cálido
Adoçam meu brinde à vida
Devolvida ao meu corpo esquálido
Por tua boca tão enlanguescida!

Do carpido acerbo que pranteei
Fez sonoro gemido híbrido,
Hibridez que jamais decantei,
Hibridez de amor e libido.

Eclipse altivo de lábios sedentos,
O amor em mais certo ensejo,
Da sensação que me livrou os tormentos
Um gole rúbido de desejo!


sábado, 28 de agosto de 2010

Nostalgia.



Nostalgia

Lívida tela do que eu fui um dia
Iluminada por um ínfimo raio solar:
O diáfano brilho que ainda porfia
Na ânsia de a lembrança se eternizar!

Antigos amores então sucumbidos
-Agora longínquas estrelas mortas!
Ainda aquecem, mesmo que banidos
Pelo tempo que me fecha as portas!

Os anos sufocam cada doce memória
Empalidecendo os retratos do passado,
Apagando as páginas da minha história!

Horizontes sobrepõem velhos montes
Trazendo novas visões e um novo fado,
Quedam esquecidas vetustas pontes!

domingo, 15 de agosto de 2010

Nefelibata!


Nefelibata


Efêmero sonho que me acomete

Quando meus olhos encontram os teus,

Tornando cada lembrança inerte

Na vivacidade dos dias meus!


Mesmo fugaz, a sensação se perpetua,

Um sopro puro de perfeita inspiração,

Denodando cada amargura crua,

Pulveriza qualquer assomo de razão!


O delírio onírico que em mim atua

Derrama a insanidade sobre meu siso,

Coroando a minha fantasia nua!


Em desafeto com o meu escasso juízo

Deixo-me guiar pelo capricho tão terno

Que torna este meu sonho eterno!




sábado, 31 de julho de 2010

Pulsar

Pulsar

Estrela solitária brilhando vermelha
Talha seu rosto em meu coração
Com a efêmera chama de uma centelha
Queimando-me numa ardente sensação.

E quem duvidar, que se entregue ao amor!
Não há sol mais insólito e brilhante,
Não há mais esplendorosa flor
Do que a cálida beleza da amante!

Formosa frágua que não arde, encanta!
Doce dor que não maltrata, levanta!
Ilusão que se eterniza no olhar...

Instante que vale qualquer eternidade!
Elemento fatal de qualquer saudade.
Graça que não se pode disfarçar!


domingo, 11 de julho de 2010

Corte Eterno!


Corte Eterno

O amor é uma lança,
Lancinante é sua dor,
Doce chaga de esperança
Em cálido e distante fulgor!

Divina tortura atroz
Que acalenta o coração
Quando o mais cruel algoz
Converte-se em salvação!

E se a lança tanto feriu
Mais fere se retirada
Qual sonho que se partiu!

E a ferida sempre aberta,
Nunca em cicatriz tornada,
Só não sangra se coberta!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Sem nome, sem enredo, sem razão.




Sem nome, sem enredo, sem razão.

Vamos por partes.
Não há nenhuma história.
E uma só personagem.
Sem nenhum destino.
Sem nenhum pensamento.
Sem nenhuma crença ou ideal.
Perdida no espaço dos próprios passos.
A pele ressecada transpira álcool.
Sem pregar os olhos há três dias.
Sem dormir de fato há anos.
O sono é delicado e raro.
Não é para qualquer um.
Muito menos para ele.
Ele? Ele não merece nome.
Nomear tudo ao seu redor
Foi justamente o que o aniquilou.
Buscar em tudo um sentido
Foi o que o fez perder os sentidos.

É fato.
Existem pessoas que nascem
Com a chaga de viver correndo.
Correndo contra tudo.
Correndo de tudo.
Como um carro velho na estrada.
A estrada não tem fim.
O carro nunca chega.
Mas ele dirige.
Dirige até o ponto em que o combustível acaba.
E não há como empurrar.
Nessa estrada estamos sempre subindo.
Qualquer deslize, abismo abaixo.
Nessa estrada não há companhia estável.
Tudo é lentamente abandonado no acostamento.
Não há como parar.
E a ânsia de chegar é fatal.
Tão fatal que nos impede de chegar.
A estrada não tem fim.
Nós temos.
Ela nos vence.
Em muitos casos o carro desliza
Bem antes de o combustível se esgotar.
E sabemos disso.
Mas olhamos para trás.
Sempre olhamos para trás.
Tentamos não olhar para frente.
Pois à frente está o fim.
E o fim nos dá medo.
O fim nunca nos inspira.
O início sim.
O início aconteceu.
O fim nunca acontecerá.
Ao menos não como sonhamos.
Ao menos não como queremos.

Ele continua correndo.
A sombra cada vez mais abrangente.
O sentido sempre procurado.
Mas nunca presente.
Por vezes anoitece.
A estrada se torna mais estreita.
O abismo está ali.
Abocanhando toda a esperança.
Talvez ele caia dessa vez.
Talvez o abismo tenha piedade.
Mas ele tem um desejo.
Ele quer parar.
Descer do carro.
Olhar o céu.
Olhar a lua.
Ser ele mesmo.
Parado.
Paralisado.
Estático.
Sem pensar.
Sem se iludir.
Sem correr.
Isso!
Ele não quer mais correr.
Não quer mais buscar algo.
Quer sentir o presente.
Quer ser o que é.
Quer ser o presente.
Seu próprio presente.
Comprado por si mesmo.
E endereçado para lugar nenhum.

E ele pára.
Acende um cigarro.
Vira meio cantil.
É a sua vida.
Ali e agora.
Beira o abismo.
Escárnio.
Escorrega.
Mas não cai.
Ainda não.
Ainda é cedo.
Vira mais meio cantil.
Placebo.
Mas ajuda, sempre ajuda.
Ainda há mais garrafas.
Ainda há muita estrada.
E nenhuma parada.
Mas ele para.
Nunca respeitou a sinalização.
As placas e os outdoors são a mesma coisa.
Não apresentam qualquer sentido.
Nada tem sentido.
Nem devia ter.
Tudo é o que parece.
Menos ele.
Menos sua vida.
Menos sua dor.

Volta para a estrada.
Cada vez mais cansado.
O tanque fica cada vez mais vazio.
Não há o que fazer.
Resta apenas correr.
Fugir de tudo.
Fugir do abismo.
Fugir de si mesmo.
O pensamento assombra.
A tristeza toma corpo.
Amarga carona em toda a viagem.
Um nevoeiro surge entre as colinas
E se torna cada vez mais denso.
Os faróis já não iluminam a estrada.
A razão já não dirige o carro.
Cento e oitenta.
Um grande gole de uísque.
Duzentos.
Um brinde e tanto!
Duzentos e vinte.
O último trago.
Duzentos e quarenta.
Garrafa arremessada contra o vidro.
Carro arremessado contra o abismo.
Uma explosão ilumina a escuridão.
O nevoeiro se esvai
Junto com a corrida.
Junto com o carro.
E ele, ele nunca foi um bom motorista.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Chao de Estrelas.


Espero que alguém goste... ^^


Chão de Estrelas

Insólita e desmesurada sensação
Enleva-me e arrebata meu desejo:
Um doce e acre sabor de ilusão
Sobeja na delícia do teu beijo!

Mas, se feliz sou na fantasia,
Durante a queda me aquecerei
No calor extremo da tua alegria,
Em teus olhos me perderei!

És quem acende minhas estrelas
E ilumina cada albor meu,
E, na esperança de provê-las,

Faço de ti a tela de minh’alma
Com o amor que em mim é teu,
Enraizado no fundo de minha palma.



quinta-feira, 17 de junho de 2010

Epitáfio.


Epitáfio


Que seja o mais bem trabalhado
Este meu último poema,
Soando eterno qual um emblema
Do que da vida se há cansado!

Enquanto calor em mim houver
Consistente será o lapidar
Do ornamento a coroar
Meu túmulo, onde estiver.

Que seja este canto traduzido
Pelo verme a roer-me o osso,
E que, sem demais esforço,
Cante-o a coruja em um gemido!

Pois do mundo se vai dormente
O que do mundo está exausto,
O que no mundo foi tão infausto
Que no mundo não foi contente!

Em cima se conserve em pedra
O que embaixo se putrefaz
Voltando a vida tão fugaz
Em uma rosa que agora medra


terça-feira, 1 de junho de 2010

Quando o corte não tinge a lança.

Quando o corte não tinge a lança.

Num clarão certeiro sonha a lança
Em sorriso jovial recém-cravada,
Resplandecendo olhos em venturosa espada
Manuseada em mãos de tão cândida criança!

Corre em céus tão vivaz lembrança
Tingindo de rosa o rutilante albor,
Matizando a mais lívida esperança,
Vulgarizada em parvos lábios: amor!

Efêmera Quimera de duradouro efeito
Ao revolver das mágoas no encostar do leito,
Enobrecendo o amor desmesurado em colo estreito!

Jardim florido entre ciprestes
Qual arrebol enxergado em leste
Pulverizando a dolente peste!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Lírio.


Lírio

Formosa flor cândida de desejo,
De beleza insólita e sem par,
Nem o mais glamouroso cortejo
Justo é ao lhe decantar!

Hiante abismo é o seu olhar:
Labirinto de infinitos segredos!
No qual me perco ao caminhar
A estrada traçada por seus dedos.

Mais belo arranjo natural
Condensado em um único ser
Com um brilho deveras desigual!

Abrigo da perfeição universal
Guiando todo o meu querer
Com um magnífico sopro vital!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Acordes de Paixão.


Tá ae uma nebulosa que eu tava olhando e achei a foto bem bonita...
É dentro de nuvens assim que as estrelas são formadas ^^

Tempo sem postar, vou colocar mais um poema aqui...
espero que curtam!
Abraço!

Acordes de paixão

Num estrépito insonoro cantareja meu coração!
De meu peito infértil, formosa cintilação,
Pois no amor houve reflexo, minha certa devoção,
Redundando em altivo nexo desprovido de ilusão!

Zomba meus sentimentos a tal fugaz invenção
De deuses viperinos e com forte inclinação
Ao sadismo de ver-me naufragar com emoção
Fundo ao mar profundo, sem destino, sem razão!

Zomba meu coração, pois sabe que é traição
O que resta alfim de qualquer canção.
Zomba meu coração, pois conhece a ação
E a pratica, sempre, com a mesma exatidão!

Eu voltei, sim, eu voltei a seguir o quinhão
Do amante malfadado com a mais feliz sensação,
Do sorriso bem-amado negando qualquer solidão,
Sem dúvida, sou dos humanos o mais são!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Verso do universo.


Aee galeraa... mais um poema aqui! ^^
vou deixar aqui uma frase que eu ouvi e rachei de rir:
"quando pobre começa a fazer planos, o diabo já dá risada!"
Realmente... a vida é duraa! hauhauhuahuahuahuahuhauha


Verso do Universo

Rogo aos céus poder um dia encontrar
Combinação insólita no vernáculo
Capaz de fielmente representar:
Ilimitado amor em limitado vocábulo!

Anseio voraz de dizer o indizível
Corre em meus versos cheios de paixão.
Permita-me, robusto amor, se possível,
Captar em palavras a tua sensação.

Se alguma vez eu realmente conseguir
Transcrever o que nunca deixo de sentir
E na essência do universo está imerso,

Terá o poema o nome que me faz tentar
E me deixa mais próximo de decantar
Tudo quanto é inefável num único verso!

domingo, 25 de abril de 2010

Reflexo!


Tempinho sem postar e tals...
mas tá aí mais um poema! ^^


Reflexo

Chuva de estrelas, sol reconfortante,
Estranha e doce antítese ilusória
Salga os lábios de pequeno infante:
Epílogo hoje distante desta história!

Sacro gosto iludindo a memória,
No maior exemplo da contradição.
Corre no tempo situação irrisória
Zombando a vontade do meu coração!

No céu, as estrelas narram o conto,
Colorindo no brilho todo o desejo,
Traduzindo a emoção em cada ponto.

Na Terra, o abstrato não é relevante,
Restando apenas o forte despejo
Da imutabilidade do tempo errante.


terça-feira, 13 de abril de 2010

Frágua de poeta.








Algum tempo sem postar... tá aí mais um poema ^^
Ah, essa foto aí é a da Galáxia de Andrômeda... linda demais!




Frágua de Poeta

Na flor em que se deita o sereno
Decantei meus vulgares versos.
Absorvendo qualquer tom de veneno,
Filtrei os meus poemas diversos!

Pois nos lábios de face rubente
Esqueci minha alma mundana
Numa espécie de sono penitente
Por tocar beleza tão desumana!

Tento, debalde, então demonstrar:
O glamour que me pôs em frágua,
Os olhos que me fazem penar!

Expresso, porém, quão doce é a sina
De beber na fonte onde tudo deságua
E sofrer por amar humana tão divina!

A pena nisto consiste:
Almejar descrever com o existente
Algo que absolutamente não existe!

Talvez me salvo de tal punição
Ao tornar-me poeta competente
A decantar deveras a tua perfeição!

terça-feira, 6 de abril de 2010

Stella Maris.







Aee, poema advindo da aula mais chata de toda a história da humanidade... hauhauhauhauhauhau.
Seria Cronos ou Kairós?


Stella Maris

Brilhante estrela que me guia,
Magnânimo e longínquo pulsar,
Afasta a treva da neblina fria
E a desesperança do meu olhar!

Inalcançável desejo eterno,
Qual luz etérea ao horizonte!
Não temo qualquer inferno,
Pois em ti folgo minha fronte!

Mesmo distante, alegra-me o peito!
Iluminar sem nenhum defeito
Coroando o fim da estrada!

Mesmo tão perto, intocável!
Pulso de energia imensurável
Impulsionando minh’alma alada!


segunda-feira, 5 de abril de 2010

Miríades!





Miríades

Amo-te com o calor de mil sóis
E com o gosto da sofreguidão,
Desde o belo timbre da tua voz
Ao último batimento do teu coração.

Velo-te com a luz de mil luas
E com a força vedada da ilusão,
Contornando nas belezas tuas
Apogeu intrépido da sensação!

Em meus olhos brilha teu olhar
E a reta ânsia do meu querer
Compondo a mais bela canção!

Em teus olhos: tesouro invulgar
Alimenta o sonho de me perder
Por entre as sendas da tua mão!



quarta-feira, 31 de março de 2010

'a beleza e a dor de sua alma.'


Primeiro vou explicar a foto, é um quasar, um evento astrônomico do nosso universo.
Eu acho que deve ser a coisa mais bela do cosmos inteiro, mas vai saber... hehe
O que eu sei é que se não for 'a mais', está entre elas, com certeza!
E como eu curto muito astronomia, sou apaixonado nos quasares!

"São milhares de estrelas,
Singulares letras vivas no céu"
[Skank - As noites]

Curti esse lance de colocar algum trecho antes dos poemas, haha, tem alguns que eu curto demais, então vou deixando aqui pra ver se alguém gosta também...
Tá aí outro poema, espero que gostem.
Bom feriado pra todos, e, especialmente pra mim... ahuhauhauhauhauhauhauhauha!

Doce Frágua

Em doce frágua banho meu peito
Se em teus olhos perco meu olhar.
Descanso minha alma em rubro leito
Apenas para contigo poder sonhar!

O mais encantador rútilo estelar,
Ao tanger a beleza da perfeição,
Em teu sorriso encontra par
E em teus lábios, mais belo irmão!

Corre em mim a eterna vontade
De urdir os nossos alheios destinos
E ser o espeque da tua felicidade!

Vive em meus olhos a esperança,
Em meus sonhos, grandes desatinos,
Devaneios da mais formosa dança.

sexta-feira, 26 de março de 2010

'Gigantes mortos em castelos no céu.'


"De tão simples e ingênuo,
Parece até pequeno
Frente aos moinhos de vento.
Mas, são gigantes, sim!
E aposte, estaremos
De pé até vencermos."
[Dance of days]


Muito linda essa parte da música que fala sobre o grande Dom Quixote!
Tá aí uma questão muito massa, o que seria melhor:
Ver nos simples e normais moinhos os gigantes ou ver nos fantásticos e assombrosos gigantes a figura de ordinários e pacatos moinhos?

Eu, particularmente, prefiro enxergar os gigantes, pois sendo moinhos ou não, a vitória será bem mais agradável! E, ademais, a vida não tem tanta graça se simplificada... o romantismo não pode faltar... mesmo que por vezes seja doloroso... por outras tantas dá bastante inspiração para seguir em frente.

Agora, um poema meu que cita a figura enigmático do cavaleiro andante. ^^


Dom Quixote Suburbano

-Quem vem lá? Quem vem lá?
Num tropel desengonçado?
-É Dom Quixote, bom rapaz,
Malferido e malfadado!

-Por que vens? Por que vens?
Tão valente cavaleiro?
-Porque sou mais um vencido
Nesse mundo forasteiro!

-Neste ermo em que cavalgas
Conquistarás o mundo inteiro,
Pois de nada vale a vida
Sem gozar o chão ligeiro!

-Não sei bem, não sei bem,
Meu discreto companheiro,
O mundo é tão imundo
E eu apenas passageiro!

-Quem mais vem? Quem mais vem?
Com esse homem pioneiro?
-Acompanha-me mais ninguém
Além de Sancho, o escudeiro!

-E na alma o que trazes?
Em teu peito, caminheiro?
-Trago dor e desespero
Trago um corte certeiro!

-Vejo que sangras em demasiado,
Perdeste algo valioso?
Perdeste o leme do teu fado?
Por que vens tão desgostoso?

-Sabes, invulgar viandante,
Eu perdi em uma lança
Minha alma de criança
E meu coração de amante!

-O que dizes, ó grandioso,
Flor e luz da cavalaria andante,
Perdeste teu sonho valoroso
Em uma batalha, em um instante?

-Em uma batalha é acertado dizer,
Porém jamais de uma só vez,
Nasci guerreiro, guerreiro vou morrer,
Mesmo sem minha louca lucidez!

-Então me dizes, sem segredos,
Quanto tempo tu lutastes
Para ser tomado pelos medos
Que discretamente enumerastes?

-Ah, distinto fidalgo,
Batalhei toda uma vida
A batalha mais renhida,
Mas se foram as saídas!

-É com pesar que te abandono
Neste cruel desabono,
Em nada posso ajudar
A quem o mundo maltratar!

-Adeus! E lembre-se, bom rapaz:
A vida é fugaz,
Eu me vou, e vou em paz,
Perdido e malferido!
Desprego-me do perigo
E da minha insanidade,
Volto agora à lucidez
E abandono a liberdade...

quinta-feira, 25 de março de 2010

Brand new start.



Começando um blog pela primeira vez.
Espero que desta vez, eu não deixe o copo pela metade com o gelo tornado em água.
A idéia é postar as coisas que eu escrevo, espero que alguém goste... =)
Então, bora lá começar...



Teu passo, meu descompasso!

Bate meu coração, bate fora do compasso,
Cantando uma canção em coro desafinado,
Seguindo o ritmo tão presto do teu passo
Entoa um refrão por deleite arrebatado!

Soa minha voz, soa rouca e silente,
Sem formar nas frases um sentido,
Trepida no meu lábio ânsia ardente
Ao fantasiar o beijo mais querido!

Os meus olhos refletem devaneios
Fantásticas cenas sobre tu e eu,
Dançando em cores uma emoção.

No meu traço, desmedidos anseios,
Desejo que no olhar se escondeu,
Para brindar, alfim, cálida paixão!



Não é lá grande coisa, mas é o que posso oferecer... ^^
Depois de muita dúvida, acabou que escolhi esse!
Espero que curtam.