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Inspiração (ou a história de uma pré-poesia)
O furor da memória
Salta-me com glória
Na inquietação dos dedos
Ou na ebulição dos medos,
Anelando transpor os limites
Da minha ilimitada alma
Que existe como inexiste
Na perturbação ou na calma!
E anseia, sei eu que anseia...
Cada idéia presa em minha teia
Tomar vida nalgum papel,
Versos secos mirando o céu
No cortejo de algum ideal.
Vis palavras e me interpretar,
Eu sou tão bom quanto mal
Na arte ingrata de versar.
Dançando sobre alguma folha
Os dedos transcrevem minha escolha
Demonstrada na clara incerteza
De escrever sem qualquer destreza
Saciando o desejo de me eternizar
Em escritos simples, porém fiéis,
Como se fosse o meu caminhar
Percorrendo a vida nos papéis!

Efemérides
Passou, passou, passou...
Do último cometa não resta rastro
Resta apenas a ilusão e o cansaço.
Desejo de voltar a passar,
Sem passar, sem fugacidade.
Um registro de efemérides
É meu peito vasto
Planície de felicidade sem fim
Felicidade desmedida
Felicidade descomedida
Felicidade amortecida
Pela sombra da saudade
Da vivência de uma vida
No vale que nada invade
Pois uma montanha é qual grade
Impedindo a passagem
Para o rio onde a margem
É minha juventude!
Saudosismo incomensurável
Do momento memorável
Onde me limitava, mormente,
Em ser feliz, em ser contente!
Saudade intragável,
Peito inconsolável,
Diga, vida pérfida,
Poderei algum dia eu
Reviver o que já morreu
Nos instantes em que me destes
De belezas entre ciprestes
E fertilidade em solo agreste?
Se por ventura, vida,
Disser sim
Faça o que quiser
De mim!
Nada mais importa,
Se por ventura, vida,
Devolver-me a horta
Tão fértil que cultivei
Nos meus tempos de infância!