quarta-feira, 23 de junho de 2010

Chao de Estrelas.


Espero que alguém goste... ^^


Chão de Estrelas

Insólita e desmesurada sensação
Enleva-me e arrebata meu desejo:
Um doce e acre sabor de ilusão
Sobeja na delícia do teu beijo!

Mas, se feliz sou na fantasia,
Durante a queda me aquecerei
No calor extremo da tua alegria,
Em teus olhos me perderei!

És quem acende minhas estrelas
E ilumina cada albor meu,
E, na esperança de provê-las,

Faço de ti a tela de minh’alma
Com o amor que em mim é teu,
Enraizado no fundo de minha palma.



quinta-feira, 17 de junho de 2010

Epitáfio.


Epitáfio


Que seja o mais bem trabalhado
Este meu último poema,
Soando eterno qual um emblema
Do que da vida se há cansado!

Enquanto calor em mim houver
Consistente será o lapidar
Do ornamento a coroar
Meu túmulo, onde estiver.

Que seja este canto traduzido
Pelo verme a roer-me o osso,
E que, sem demais esforço,
Cante-o a coruja em um gemido!

Pois do mundo se vai dormente
O que do mundo está exausto,
O que no mundo foi tão infausto
Que no mundo não foi contente!

Em cima se conserve em pedra
O que embaixo se putrefaz
Voltando a vida tão fugaz
Em uma rosa que agora medra


terça-feira, 1 de junho de 2010

Quando o corte não tinge a lança.

Quando o corte não tinge a lança.

Num clarão certeiro sonha a lança
Em sorriso jovial recém-cravada,
Resplandecendo olhos em venturosa espada
Manuseada em mãos de tão cândida criança!

Corre em céus tão vivaz lembrança
Tingindo de rosa o rutilante albor,
Matizando a mais lívida esperança,
Vulgarizada em parvos lábios: amor!

Efêmera Quimera de duradouro efeito
Ao revolver das mágoas no encostar do leito,
Enobrecendo o amor desmesurado em colo estreito!

Jardim florido entre ciprestes
Qual arrebol enxergado em leste
Pulverizando a dolente peste!