segunda-feira, 28 de março de 2011

Caleidoscópio.


Caleidoscópio


O frio que lhe enrubescia a face
Não fora capaz de tocar seu coração.
Calor, desejo e sofreguidão:
O mais perfeito desenlace!

E mesmo que eu não esperasse,
Tal qual quente brisa de verão
Despertou em mim a ilusão
Transcendendo qualquer disfarce!

No compasso do tempo fugaz
Eternizou-se a certeza tenaz
De que um só instante é capaz

De valer dias, meses ou mais.
E, quando tal momento se faz,
Nunca será deixado para trás!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Não os perdi, mas eles se foram...




Não os perdi, mas eles se foram...


Na amarga perdição de uma alma
A ciranda crudelíssima de navalhas
Sentencia a frágua tão vil
De uma mísera centelha de vida
Que se extingue a cada momento
Como fosse um alumbramento
De um passado intocável
Perdido em um pensamento
Que lamenta o que não pensa
Quando não sente o que sentia
E já é o que não era!

É, meu caro, eu perdi o encanto,
Meu sorriso perdeu-se em pranto
Pois a vida, esta batalha renhida,
Jamais poupa o gozo de um olhar
Que ousa brilhar em alegria.

Severa arte, um desgosto e tanto,
Sonhar em ardor o gosto de antes
Sabendo impossível um mísero
Relembrar intenso dos instantes
Que apenas abrilhantam a estante
Sem qualquer valor ou significância
Sem qualquer possibilidade de existir
Uma vez findo e outras tantas lamentado!

E o que sentia, não o sinto mais,
Como me dói a certeza tenaz
De crer impossível recuperar
A minha inabalável paz
O sentimento perdido trás
De que a vida ainda fazia sentido
Mesmo sem saber qual era.
Portanto, ou este nunca existira,
Ou se perdera na estrada
Onde não ouço mais meus passos
E meus gritos soam tristes e mudos,
Onde não vejo mais as estrelas
E o vento é frio e saudoso.

Eu sei, eu sei,
É melancolia.
Mas, será a minha dor mais forte
Ou serei eu mais fraco?