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Caleidoscópio
O frio que lhe enrubescia a face
Não fora capaz de tocar seu coração.
Calor, desejo e sofreguidão:
O mais perfeito desenlace!
E mesmo que eu não esperasse,
Tal qual quente brisa de verão
Despertou em mim a ilusão
Transcendendo qualquer disfarce!
No compasso do tempo fugaz
Eternizou-se a certeza tenaz
De que um só instante é capaz
De valer dias, meses ou mais.
E, quando tal momento se faz,
Nunca será deixado para trás!
Não os perdi, mas eles se foram...
Na amarga perdição de uma alma
A ciranda crudelíssima de navalhas
Sentencia a frágua tão vil
De uma mísera centelha de vida
Que se extingue a cada momento
Como fosse um alumbramento
De um passado intocável
Perdido em um pensamento
Que lamenta o que não pensa
Quando não sente o que sentia
E já é o que não era!
É, meu caro, eu perdi o encanto,
Meu sorriso perdeu-se em pranto
Pois a vida, esta batalha renhida,
Jamais poupa o gozo de um olhar
Que ousa brilhar em alegria.
Severa arte, um desgosto e tanto,
Sonhar em ardor o gosto de antes
Sabendo impossível um mísero
Relembrar intenso dos instantes
Que apenas abrilhantam a estante
Sem qualquer valor ou significância
Sem qualquer possibilidade de existir
Uma vez findo e outras tantas lamentado!
E o que sentia, não o sinto mais,
Como me dói a certeza tenaz
De crer impossível recuperar
A minha inabalável paz
O sentimento perdido trás
De que a vida ainda fazia sentido
Mesmo sem saber qual era.
Portanto, ou este nunca existira,
Ou se perdera na estrada
Onde não ouço mais meus passos
E meus gritos soam tristes e mudos,
Onde não vejo mais as estrelas
E o vento é frio e saudoso.
Eu sei, eu sei,
É melancolia.
Mas, será a minha dor mais forte
Ou serei eu mais fraco?