terça-feira, 28 de setembro de 2010

Cárcere Escarlate



Cárcere Escarlate

Em meu peito arrebatado,
Absorto por seu olhar dourado
Uma certeza ainda porfia:
Eu a desejo mais que devia!

Mas em desrespeito à razão
Não domestico o coração
Adoro-lhe de maneira indizível
Com todo amor que me é possível!

Eu jamais ousaria limitar
Tal desmesurado sentimento,
Pois só se ama de forma infinita!

Sua lembrança teima em tomar
De assalto todo o meu pensamento
Iluminando minh’alma aflita!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Ideais inconfessos.



Ideais Inconfessos

A veste que meu sonho trajou
Caiu em desuso naturalmente,
Tornou-se obsoleta e indecente
Aos olhos de quem me amou.

As palavras que proferi
Foram tolos hinos ecoados
E a plenos pulmões bradados
Pelas bocas em que me feri.

Ilusão sem crença e caída
Corrói o sentido e a emoção,
Proclamando ao meu coração:
“Esboço de uma vida falida!”

Desejo infausto e obsessão
Em carne viva me deixaram,
Por madrugadas me guiaram
À procura de uma expiação.

Caí no truque da saudade,
Do passado que não passa,
Neguei três vezes a desgraça
Mas fui traído pela vontade!

A fantasia fez sua festa:
Aos meus olhos foi presta
Com sua beleza nada modesta
E uma sedução que me molesta.

O mal que vivo em segredo
Corrói-me as tentativas
E as lembranças furtivas
Condenadas ao degredo.

Sufoco o dolente grito
E a sensação nunca fugaz
Que não folga jamais:
A vida ainda é um mito!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Um gole rúbido de desejo


Um gole rúbido de desejo

Da rosa ígnea que me abrasa o peito
Fiz cama, travesseiro e lençol,
Fiz pomposo e rubente leito,
Coroei teus olhos brilhante sol!

Fragrância leve e olor adorável
Embriagam meus sentidos dormentes
Qual um enrubescer imaculável
Da carne pelos sussurros ardentes.

Da candura dura do teu seio
Fiz horizontes de contornos voluptuosos,
Fiz montes dos quais o auge anseio,
Destruí os desgostos mais fragosos!

Brisa libidinosa e conforto cálido
Adoçam meu brinde à vida
Devolvida ao meu corpo esquálido
Por tua boca tão enlanguescida!

Do carpido acerbo que pranteei
Fez sonoro gemido híbrido,
Hibridez que jamais decantei,
Hibridez de amor e libido.

Eclipse altivo de lábios sedentos,
O amor em mais certo ensejo,
Da sensação que me livrou os tormentos
Um gole rúbido de desejo!