domingo, 7 de agosto de 2011

De como nasceu o amor.




De como nasceu o amor

Conta-se que há primaveras atrás
Existiu pelas bandas de cá um rapaz
Que sempre gozou tudo o que lhe apraz
Mesmo que por um momento fugaz.

Mas, em um belo dia de abril,
Uma linda rosa então floriu
E o tão soberbo homem vil
Incompleto em suas posses se viu.

Quis logo a rosa arrancar.
-Aqui jamais será lugar
Para tamanha beleza sem par.
Proteger-te-ei em meu altar!

Velou-a por noites sem fim
Como guarda um jardineiro ao seu jardim
Temendo tremendo um estopim:
Que suas pétalas murchassem, enfim.

Implorou ao tempo ao desesperar
Que interrompesse o seu caminhar,
O qual, sem ouvidos lhe dar,
Continuou, incoercível, a marchar.

Pediu então à tão curta vida
Que desse à flor alguma guarida
Para que jamais fosse despida,
Por sua cor fosse sempre envolvida.

Sabia impossível sua vontade:
Não é perene a felicidade.
De tanto iludir a realidade
Encarou os olhos da saudade.

Foi quando, então, observou
O despencar da pétala que sobrou.
Vestido em lágrimas exalou
A única certeza pela qual suspirou.

Ao cair em si, o jovem percebeu:
Aquela linda rosa não morreu!
Simples sublimação foi o que aconteceu:
Foi-se a paixão, mas o amor nasceu!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Tijolos amarelos.



Tijolos amarelos

A saudade maltrata meu trato feito
Com os tão raros sonhos insanos
Que me arrancam suspiros do peito
Ao relembrar em mim meus enganos.

A felicidade não me inspira afeto,
Nem é tristeza o meu choro profano
Abafado pelo agouro mais incerto
Exalado pelo tempo a cada ano.

Na existência ainda me abrigo
Sem encontrar, de fato, lugar,
Não sei se por sorte ou castigo!

Ao descaso do acaso ainda padeço,
Ousando o que o destino não ousar
Do passado e do futuro me esqueço!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Vital.




Vital

Teus olhos - brilha beleza invulgar.
Teus lábios - dança o meu desejo:
Tenaz vontade reta ao alvejar
Do teu apreço langoroso beijo!

Em sonhos fantasio minha ilusão
Na ânsia de torná-la real,
Coroando em meu intento a condição
De que sempre me sejas vital.

Talvez teus braços me dêem abraços –
Que sejam estes tão eternos e ternos
Quanto toda a perfeição do teu traço!

Talvez teus passos me formem laços,
Aquecendo os mais rigorosos invernos,
Sobejando tudo o que me fora escasso!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Anômalo.



Anômalo

Delírios constantes que, de tão reais,
Dançam nos limites da irracionalidade
Com o insano poder de fantasias surreais
Rompendo a chaga da impossibilidade.

E num ato de completa insensatez
A imprudência expia o desatino
De se estar condenado à lucidez
Jogando dados contra o destino.

Em quimeras enterro a tentativa
De alívio à inquietação da alma
Na busca de efêmera satisfação

Que se esvai na fantasia cativa
Pelo peito indócil que não acalma
O sopro da existência em meu coração!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Pré-erupção.




Pré-erupção

Forasteiro farto do fétido cheiro
Abdica à calma por aventura,
A qual te seduz desde o luar primeiro,
Razão apossada pela loucura!

Nos olhos a imagem é ilusão
Buscando embebedar o asco latente,
Relutante à minha tenaz aversão
Ao meu humano tanto presente!

Inquietação que sobre mim recai
Toda apatia de mim afastai
Cambiando em espirituoso o cansado!

Pois a mim melhor se faz
Engolir brasa eliminando a paz
Do que deitar sem viver um fado!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Exaustão existencial.




Exaustão Existencial

No brilho de um olhar apagado
Resplandece uma centelha
Em batalha constante contra o plenilúnio
Um descuido! Lá se vai o duelo...
E a pobre faísca torna-se invisível
Qual um berro pungente
Que soa seco e mudo
Diante de um esmagador trovão!
(...)

Já sentiste a sensação
De que há um sem fim de pragas
Teimando em te saltar pela boca
Enquanto tu, sem qualquer sossego,
Tenta, debalde, mantê-lo imperceptível?

Já sentiste as cordas vocais
Retorcidas em um grande e amargo nó
Tornando a tua fala tola e vã,
Desmistificando teus inúteis valores
E escarrando na face que idolatras?

Já ouviste o silêncio profundo
Que te obriga a sentir o pulsar
Sem vida de teu inóspito peito
Como se desejasse o cessar
Das batidas cruéis do coração?

Já entregaste, aos soluços, lágrimas
Tão verdadeiras e doridas
Quanto a ceia miserável de um verme
Que ao percorrer tua face
Manchou o caminho de dor e desespero?

Já desejaste desintegrar
A ti e a tudo o que sentiste
Apenas para que possas
Tentar uma única e última vez
Ser feliz em pleno esquecimento?

-Sim! Sim! Sim! Sim! Sim! Em um só momento!

sábado, 30 de abril de 2011

Rasga a carne e tinge o lençol.




Rasga a carne e tinge o lençol

Da flor que em ti desabrochou
Dedilhei cada pétala vivaz
Colorindo o diáfano lilás
Com o ardor que me tomou!

Langorosos movimentos
Cortam o ar deveras febril,
E, com a embriaguez sutil,
Esvaem-se os pensamentos!

Um leve e sublime tatear
Desperta sobeja sensação
Compassando o respiro,

Úmidos lábios a beijar,
Rubros pela exaltação:
Um longo e único suspiro!

terça-feira, 26 de abril de 2011


Gritos d'alma

O arrebol.
Inicia-se outro dia.
Outra tentativa frustrada.
Tomo meu café, faço planos.
Nada que eu vá cumprir.
Tenho uma imensa vontade de voltar.
Retomar todos os meus sonhos
Que foram fatalmente ignorados.
Talvez seja esse o preço,
abandonar os sonhos
Qual roupas velhas que não mais servem.

O ocaso.
Outra noite, outra mágoa.
As dores se acentuam consideravelmente.
Sinto saudade, uma saudade não sei de quê.
A brisa noturna me corta o peito.
Tenho uma sensação de calafrio.
Um arrepio de medo, angústia e culpa.
Tento afogar-me em alguma bebida.
Soco em faca afiada.
Apenas amplifica as vozes
Que zombam da minha fraqueza.

Dia após dia. Ano trás ano.
O tempo passa, eu sou mesmo.
Paralisado. Angustiado.
Tenho a garganta seca.
A alma sólida qual diamante.
Talvez o frio de meu coração
Tenha me roubado o desejo.
Talvez eu me tenha rendido.
Bebo mais um gole de vida.
Um brinde!
Não quero mais viver...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Se eu fosse poeta...




Se eu fosse poeta...

Se eu fosse poeta...
Brindar-lhe-ia com os melhores versos
Talhados com o glamour disperso
De quem expressa um amor diverso!

Se eu fosse poeta...
Cada uma de minhas poesias
Teriam o mesmo nome e harmonia,
Seriam sempre em sua honraria!

Se eu fosse poeta...
Traduziria o que deveras sinto,
O que conduz sensação que não finto,
Conquistaria o seu apreço distinto!

É, se eu fosse poeta...
Não me sufocaria jamais a paixão
Que teima em me transcender à mão,
Mesmo sem talento, munida de emoção!

Mas, como poeta não sou,
Escrevo-lhe esta singela confissão
Que não se forjou em mãos de artesão
Nem inspirou a pena de famosa canção,
Mas que ecoa há muito em meu coração!

domingo, 17 de abril de 2011

Rubra madrugada.




Rubra Madrugada

Lascívia latente presente na alma,
Patente na carne o desejo ardente
Nos olhares queima fogo sem calma,
Lábio molhado cada vez mais rubente!

Na densa névoa que instaura o escuro
Imperam os sentidos, os suspiros e a libido.
A promessa de alcançar o prazer futuro
Contempla a sensual sonoridade do gemido!

Mãos que percorrem cada pequeno espaço,
O falo ereto que penetra outro ser
Coroando a tesa excitação do momento!

Corpos que se fundem num grande laço,
Vontade que enleva ao estremecer,
O lânguido berro concluindo meu intento!