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Rubente Anelo
O beijo doce de flor rubente
Matizou todo o meu olhar singelo,
Que cantou contente qual anelo
Maravilhado por beleza ingente!
Pétalas enfeitam o alegre amarelo
Do helianto que te coroa graciosamente
Seguindo fervoroso astro tão quente
Qual sigo eu arranjo tão belo!
Aos divinos vocábulos agora apelo
Para forjar com o meu nobre martelo
Escultura fiel aos ciúmes de Otelo!
Logrando tal, será o teu presente:
A união de todo o amor existente
Oferecido a ti em meu seio ardente!
Alea jacta est
Fantasia surreal me acalenta,
Disforme desejo tornando torpor
Toma corpo e, debalde, tenta
Transcender os contornos do amor!
Na carne eu sinto o reflexo
Do que em minha alma germina,
Um afago distante e desconexo
Que, mesmo longínquo, me ilumina!
A ilusão na qual meu peito se firma
Transborda dos teus olhos, abismos,
Derrama em mim formosa sensação!
E o meu olhar incauto confirma:
O entrelace de todos os romantismos
Encerrou em mim, por ti, cálida paixão!
Moça
Moça morena de manha amena,
Lança tua lança em meu coração.
Moça morena de mente serena,
Deixa tua roupa e vem pro colchão!
Menina manhosa, selvagem e dengosa,
Deixa o tempo acordar-nos depois.
Menina manhosa, de estima formosa,
Esqueça do mundo além de nós dois.
Moça-menina do olho do furacão
Deita a tua lenha em minha frágua,
Canta comigo essa ardente canção!
Moça-menina de eterna paixão,
Mostra que a vida não é só mágoa,
Deita comigo e esqueça a razão!
Porto Inseguro
Prazer insano que nunca se satisfaz
Cravado a fundo em meu peito sem paz,
Que não se acalma, que não é alma
Capaz de se iludir com qualquer palma!
Uma busca irreprimível e infindável
Encerra em mim a certeza inefável
De que o meu próprio reflexo
Não forma comigo nenhum nexo!
Corpo que se vende por tão pouco
Procurando sempre reconciliar
O coração e o mais puro desgosto
De não ter par neste dolente sufoco,
De jamais conseguir se encontrar
Ou dar fim a este eterno agosto!