De como nasceu o amor
Conta-se que há primaveras atrás
Existiu pelas bandas de cá um rapaz
Que sempre gozou tudo o que lhe apraz
Mesmo que por um momento fugaz.
Mas, em um belo dia de abril,
Uma linda rosa então floriu
E o tão soberbo homem vil
Incompleto em suas posses se viu.
Quis logo a rosa arrancar.
-Aqui jamais será lugar
Para tamanha beleza sem par.
Proteger-te-ei em meu altar!
Velou-a por noites sem fim
Como guarda um jardineiro ao seu jardim
Temendo tremendo um estopim:
Que suas pétalas murchassem, enfim.
Implorou ao tempo ao desesperar
Que interrompesse o seu caminhar,
O qual, sem ouvidos lhe dar,
Continuou, incoercível, a marchar.
Pediu então à tão curta vida
Que desse à flor alguma guarida
Para que jamais fosse despida,
Por sua cor fosse sempre envolvida.
Sabia impossível sua vontade:
Não é perene a felicidade.
De tanto iludir a realidade
Encarou os olhos da saudade.
Foi quando, então, observou
O despencar da pétala que sobrou.
Vestido em lágrimas exalou
A única certeza pela qual suspirou.
Ao cair em si, o jovem percebeu:
Aquela linda rosa não morreu!
Simples sublimação foi o que aconteceu:
Foi-se a paixão, mas o amor nasceu!

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