
Exaustão Existencial
No brilho de um olhar apagado
Resplandece uma centelha
Em batalha constante contra o plenilúnio
Um descuido! Lá se vai o duelo...
E a pobre faísca torna-se invisível
Qual um berro pungente
Que soa seco e mudo
Diante de um esmagador trovão!
(...)
Já sentiste a sensação
De que há um sem fim de pragas
Teimando em te saltar pela boca
Enquanto tu, sem qualquer sossego,
Tenta, debalde, mantê-lo imperceptível?
Já sentiste as cordas vocais
Retorcidas em um grande e amargo nó
Tornando a tua fala tola e vã,
Desmistificando teus inúteis valores
E escarrando na face que idolatras?
Já ouviste o silêncio profundo
Que te obriga a sentir o pulsar
Sem vida de teu inóspito peito
Como se desejasse o cessar
Das batidas cruéis do coração?
Já entregaste, aos soluços, lágrimas
Tão verdadeiras e doridas
Quanto a ceia miserável de um verme
Que ao percorrer tua face
Manchou o caminho de dor e desespero?
Já desejaste desintegrar
A ti e a tudo o que sentiste
Apenas para que possas
Tentar uma única e última vez
Ser feliz em pleno esquecimento?
-Sim! Sim! Sim! Sim! Sim! Em um só momento!

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