quinta-feira, 14 de abril de 2011

Matizes!



Opaa! Esse poema é do fundo do baú e tem uma história muito engraçada, e, como me bateu nostalgia (pra variar), resolvi postá-lo. Espero que gostem!


Matizes

Como queria que você soubesse
Que é a única pra mim,
Nesse mundo tudo se esquece
E tudo tem seu fim,
Mas, não o meu amor por você
Ele não pertence a este mundo
Está acima de nossas meras consciências
E nunca irá morrer
Pois da alma é oriundo.

Não sei se tens por mim os mesmos sentimentos
Se sim,
Completar-me-ei, enfim,
Se não,
Seguirei a voz do meu coração,
Escolherei um caminho em meio à escuridão

Nunca me esquecerei de você,
Desse teu olhar majestoso,
De como fico feliz apenas de te ver,
E de tua presença que torna o mundo prazeroso.

Tua paz de espírito me acalma,
Tua luz ilumina-me, tira-me das sombras,
Recupera-me das profundezas culpadas de minha alma
Sempre quando vem o silêncio é em você que penso.

Será que pensas em mim como penso em você?
Meu sonho é ouvir-te dizer que sim
Por você, me disponho a morrer!
Pois meu amor me fará sobreviver em algum lugar.
Vivendo exatamente por você, só por você.

Os matizes de teu olhar me entorpecem
É como se eu vivesse apenas pelo momento em que estamos lado a lado
É como se todas as coisas de nada importassem
É um momento que me deixa encantado.

sábado, 9 de abril de 2011




Olhos de ressaca, a minha Capitu!


Um olhar oblíquo e dissimulado
Que me arremessa contra o paraíso
Galante jeito meigo, terno e encantado,
Espancando as sombras com o sorriso.

Traços voluptuosos envoltos de perfeição
Eterna veemência em tua cândida languidez
Um primor da natureza, do vento, uma canção.
Contornos cerúleos, estrelas, ah, nívea palidez.

Sorriso devasso e alvo deveras em uma só vez
Brilhante e traiçoeiro, efêmero e eterno,
Pálido e distante, perto e inalcançável, talvez!

Convidativa maneira que me embriaga de paixão
Oh! Sereia de mais belo canto! Oh! Chave do inferno!
Estilhaça-me, queima instantaneamente essa solidão.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Delírio noturno.





Delírio noturno.

A lua ia baixa pela alta madrugada
E eu ia alto pelos becos mais escuros,
Enquanto a névoa engolia toda a estrada
E o labirinto me enquadrava em seus muros.

Soou, enfim, a terceira badalada,
Bares, ares e lugares sempre impuros.
Na garganta seca uma mágoa entalada
Permitia apenas insonoros sussurros.

A fantasia aliviava o olhar desolado
Tornado lúgubre e sem vida
Pelo doce desejo cruel e malvado
Que me talhou no peito profunda ferida.

A garrafa molhava o lábio sulcado
Que antes beijara a boca querida,
Hoje entregue ao amor ao passado
E à anestesia delirante da bebida.

Um quadro deveras angustiante
Verdadeira cena de atroz terror,
Eis que surge beleza estonteante
No horizonte carcomido pela dor.

Salta do lábio da surgida sibilante
Crudelíssima praga sem pudor,
Ressoando pelo vale distante
O tormento das palavras em furor:

-Tu, que andas pela vida sem rumo,
Sabes que no mundo não terás lugar,
Conheces o prazer do álcool e do fumo,
Mas nunca serás capaz de amar!

Gozaste a vida em pródigo consumo,
Devoraste antes o que viria a provar,
Não guardou das frutas qualquer sumo
Para quando à tua alma a sede assolar!

Tu, que figurou como poeta sem o ser,
Não teve nas lides qualquer destreza,
Mas ainda pensas que há de merecer
Futuro consolo à tua fraqueza!

O que te digo o fará estremecer:
Não haverá alívio à tua tristeza,
Não folgarás jamais o teu sofrer,
Será tal a tua única certeza!

Em pavor momentâneo mergulhado
Revirei os olhos e os esfreguei.
Ergui a vista e me virei para o lado.
Será real este pesadelo? – pensei.

Ao volver o olhar já encovado:
Uma imagem que jamais esquecerei!
Mas, apesar de medroso e abismado,
Mirei a figura da mulher e a encarei:

-Por que me vens dizer agora?
O que queres com esta intentada?
Que prazer nefasto explora
Para satisfazer tua alma malvada?

Qualquer ser que o seu futuro ignora
Tenta gozar ao máximo o presente!
Por que queres me levar embora
A esperança que já tenho descrente?

E a sibila, ainda mais bela e divina,
Mordeu os lábios e, enfim, sussurrou:
-Fora tu quem traçou a tua sina,
Fora tu a quem a vida abandonou.

Possuíste tudo que te atraiu vontade
E despertou alguma tentação!
Ou vais dizer que não é verdade?
Ou vais dizer que não és tu não?

Escondendo-se em seus noturnos cabelos,
Soltou longa e pavorosa gargalhada
Que eriçou cada um dos meus pêlos
E fez minha alma mais desconsolada!

Com a sua funesta voz, proferiu alfim:
-A última coisa que tenho a falar
É também a que anuncia o teu fim:
“Do pó veio, pulvéreo então será!”

Ao fim desta assombrosa fala
Deu três passos rumo neblina,
E, na escuridão que a noite exala,
Desapareceu a representação feminina!

Eu, sem entender aquela aparição,
Atravessei correndo da névoa a cortina
Procurando seguir a assombração
Que evaporou ao dobrar a esquina!

Atordoado, desisti de procurar sentido,
E tentei depositar aquele agouro
Em algum pequeno canto escondido
Da minha mente, tal qual meu ouro.

Sentei em alguma taverna esquecida
Nas ruas que a vida me apresentou
E pedi pela mais forte bebida
Para apagar aquilo que me atemorizou.

Aos goles, foi me voltando a cor,
Mas, ainda hoje, não mais retornei
Àquela esquina que me trouxe terror,
Daquela rua não mais me aproximei!

E, até agora jamais ousei contar
A ninguém o que aqui desabafei:
O dia em que a morte me veio visitar,
O dia em que pela morte me apaixonei!

Bem sei, muitos irão logo duvidar,
Que seja real a história que contei.
Mas àqueles que ousarem zombar,
Com certo escárnio responderei:

-Atente à escassez da tua mina
E ao perpetuar da tua rica sorte,
Pois não saberás jamais em qual esquina
Encontrarás, tal qual eu, a morte!

segunda-feira, 28 de março de 2011

Caleidoscópio.


Caleidoscópio


O frio que lhe enrubescia a face
Não fora capaz de tocar seu coração.
Calor, desejo e sofreguidão:
O mais perfeito desenlace!

E mesmo que eu não esperasse,
Tal qual quente brisa de verão
Despertou em mim a ilusão
Transcendendo qualquer disfarce!

No compasso do tempo fugaz
Eternizou-se a certeza tenaz
De que um só instante é capaz

De valer dias, meses ou mais.
E, quando tal momento se faz,
Nunca será deixado para trás!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Não os perdi, mas eles se foram...




Não os perdi, mas eles se foram...


Na amarga perdição de uma alma
A ciranda crudelíssima de navalhas
Sentencia a frágua tão vil
De uma mísera centelha de vida
Que se extingue a cada momento
Como fosse um alumbramento
De um passado intocável
Perdido em um pensamento
Que lamenta o que não pensa
Quando não sente o que sentia
E já é o que não era!

É, meu caro, eu perdi o encanto,
Meu sorriso perdeu-se em pranto
Pois a vida, esta batalha renhida,
Jamais poupa o gozo de um olhar
Que ousa brilhar em alegria.

Severa arte, um desgosto e tanto,
Sonhar em ardor o gosto de antes
Sabendo impossível um mísero
Relembrar intenso dos instantes
Que apenas abrilhantam a estante
Sem qualquer valor ou significância
Sem qualquer possibilidade de existir
Uma vez findo e outras tantas lamentado!

E o que sentia, não o sinto mais,
Como me dói a certeza tenaz
De crer impossível recuperar
A minha inabalável paz
O sentimento perdido trás
De que a vida ainda fazia sentido
Mesmo sem saber qual era.
Portanto, ou este nunca existira,
Ou se perdera na estrada
Onde não ouço mais meus passos
E meus gritos soam tristes e mudos,
Onde não vejo mais as estrelas
E o vento é frio e saudoso.

Eu sei, eu sei,
É melancolia.
Mas, será a minha dor mais forte
Ou serei eu mais fraco?

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Ode à mulher.



Ode à mulher

Não há maior beleza
Ou glamour deveras igual
À fina e feminina leveza
Da forma que ao amor é vital!

Da mulher e da sua graça
Extrai-se fácil a perfeição,
Transbordando qual taça
Com o ávido vinho da paixão!

Em cada olhar ou movimento
Espalha divino encantamento
Deleitando-nos em fino torpor!

Um mistério ainda a esclarecer:
Quem personificou em tal ser
A etérea manifestação do amor?

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

21 verões.





21 verões

Cada janeiro me traz a certeza
Da inquietude sísmica da vida:
Os dias que dançam com presteza
No ritmo da existência perdida!

Mas, se se perde a existência
Dos longos anos deixados trás,
Ganha-se a nobre vivência
Do tempo que não morre jamais!

O passado cada vez mais extenso,
O futuro cada vez mais escasso
E o presente cada vez mais fugaz!

Mas tudo o que o amor toca, penso,
Transcende o tempo e o espaço:
Nem com a morte se putrefaz!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Palavras jamais traduzirão sentimentos.



Aeeee, vou postar um bem antigo aqui, a nostalgia de janeiro me fez ler meus poemas antigos, então tá aí um deles. ^^

Palavras jamais traduzirão sentimentos.

Você é uma luz a me guiar.
É o meu sol e o meu luar.
O cálido ar nas noites frias a me esquentar.
A meditação que me traz calma para pensar.

O único oásis que eu encontrei no deserto.
De todas as estradas erradas, o único caminho certo.
Um sonho que me instiga a dormir para te ver mais e mais.
A única razão para viver que me satisfaz.

O apocalipse da minha vida perdida.
O gênese da minha nova chance de viver.
O único lugar onde descansa a minha alma tão sofrida.
A sabedoria que me faz ter ânsia por aprender.

Sua beleza me encanta como o mar encanta o céu.
As estrelas jamais brilharão como os olhos seus.
Minha razão quando eu te vejo se arremessa ao léu.
Meus sentimentos e meu coração não mais são meus

Você é a felicidade que me deixou há algum tempo atrás,
E que agora retornou com sua alma pra me fazer vencer.
Você é a força que continuar a viver me faz,
E a magnífica surpresa que nunca irei esquecer.

A ilusão que meu peito transformou em realidade.
A prova que a vida não é apenas casualidade.
A única estrela que ilumina o meu universo.
O amor que me deixou completamente disperso.

A fé que me fez voltar a crer na vida.
A esperança que eu apresento na luta por um mundo melhor.
A certeza de que existir não traz apenas sangue e suor.
A lembrança de toda a minha alegria esquecida.

A imensidão do mar
Não apresenta beleza comparável à do teu olhar!
As maravilhas de todo o espaço sideral
Não chegam perto de sua perfeição sem igual!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Botão de rosa.




Botão de Rosa

Busco, qual beija-flor, a beleza ingente
Que por entre as pétalas se oculta
Na formosa rosa de calor ardente,
E em meu peito, com glamour, se avulta!

E hei de encontrar, a minha bela aurora,
Pois sei que, ainda que furtada à minha vista,
Aguarda nalgum lugar o brindar da hora
Em que sua alegria será minha conquista!

Decantarei o meu amor em fartos versos
Para que não esqueça, nem por um segundo,
Que à minha paixão jamais estarei disperso.

A sua imagem todos verão em meu olhar
Pois cravarei em meu coração, a fundo,
A felicidade que eu anseio poder lhe dar!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Rubente anelo.




Rubente Anelo

O beijo doce de flor rubente
Matizou todo o meu olhar singelo,
Que cantou contente qual anelo
Maravilhado por beleza ingente!

Pétalas enfeitam o alegre amarelo
Do helianto que te coroa graciosamente
Seguindo fervoroso astro tão quente
Qual sigo eu arranjo tão belo!

Aos divinos vocábulos agora apelo
Para forjar com o meu nobre martelo
Escultura fiel aos ciúmes de Otelo!

Logrando tal, será o teu presente:
A união de todo o amor existente
Oferecido a ti em meu seio ardente!