sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Efemérides.




Efemérides


Passou, passou, passou...
Do último cometa não resta rastro
Resta apenas a ilusão e o cansaço.
Desejo de voltar a passar,
Sem passar, sem fugacidade.

Um registro de efemérides
É meu peito vasto
Planície de felicidade sem fim
Felicidade desmedida
Felicidade descomedida
Felicidade amortecida
Pela sombra da saudade
Da vivência de uma vida
No vale que nada invade
Pois uma montanha é qual grade
Impedindo a passagem
Para o rio onde a margem
É minha juventude!

Saudosismo incomensurável
Do momento memorável
Onde me limitava, mormente,
Em ser feliz, em ser contente!

Saudade intragável,
Peito inconsolável,
Diga, vida pérfida,
Poderei algum dia eu
Reviver o que já morreu
Nos instantes em que me destes
De belezas entre ciprestes
E fertilidade em solo agreste?

Se por ventura, vida,
Disser sim
Faça o que quiser
De mim!
Nada mais importa,
Se por ventura, vida,
Devolver-me a horta
Tão fértil que cultivei
Nos meus tempos de infância!

Um comentário:

  1. sabe o que mais me irrita?
    o cara chega bêbado em casa, senta na frente do computador e escreve um poema lindo desse... ¬¬'
    te contar viu...
    (invejaa)

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